Primeiros Povoados com Europeus em Santa Catarina

Estudos arqueológicos indicam que povos proto-jês já habitavam o atual território de Santa Catarina, por volta do século 10. Viviam da agricultura, da caça e da pesca. Fabricavam peças de cerâmica, construíam habitações escavadas na terra, realizavam arte rupestre e rituais funerários.

Na época das primeiras expedições europeias do século 16, o litoral de Santa Catarina era habitado pelos índios carijós. Certos pontos do litoral catarinense aparecem em alguns mapas da época.

O primeiro povoado do Brasil com europeus foi fundado na região de Porto Seguro, em 1503, era a primitiva Colônia de Santa Cruz.

Em 1504, o navegador francês Paulmier de Gonneville aportou provavelmente em algum ponto do litoral catarinense, após um desvio de percurso, quando ia para as Índias Orientais. Gonneville partiu do porto de Honfleur, da França, em junho de 1503, com seu navio L'Espoir. Ao dar na costa brasileira, encontrou-se com os carijós, ergueu uma grande cruz de madeira, em uma colina, e retornou à França, após cerca de seis meses, com Essomericq à bordo, um carijó, filho do chefe Arosca. Essa expedição francesa pode ter sido a mesma referida por Anchieta (Informação do Brasil e de suas capitanias, 1584), ao citar que os primeiros franceses estiveram na Bahia, naquele mesmo ano.

Em 1516, o explorador Juan Díaz de Solís desembarcou na ilha de São Francisco do Sul, quando buscava um caminho para as Molucas, na costa oriental da Ásia. Referências indicam que ele era, na verdade, o navegador português João Dias de Sólis, que fugiu para a Espanha após ter assassinado a esposa.

Com a criação das Capitanias Hereditárias, nos anos 1530, parte do atual território de Santa Catarina foi doado a Pero de Sousa Lopes, que fez muito pouco para a sua colonização. O litoral, entretanto, recebeu alguns desterrados, desertores e náufragos, que habitavam entre os índios e davam apoio aos navios de passagem para a região do Rio da Prata.

Nos séculos 16 e 17, o atual território do Estado encontrava-se em uma área de litígio entre portugueses e espanhóis, devido a discordâncias quanto ao exato local do Meridiano de Tordesilhas.

Com a União Ibérica (1580-1640) a questão foi relaxada. Posteriormente, os portugueses fundaram a colônia de Sacramento, no Uruguay. A questão da posse dos territórios do Sul do Brasil foi tratada em vários acordos, como por exemplo, os Tratados de Madrid, em 1750, e de Santo Ildefonso, em 1777. A execução dos acordos, entretanto, sempre contava com empecilhos e normalmente não era completa.

No século 17, caçadores de índios, para escravizá-los, ou aventureiros em busca de ouro e pedras preciosas, adentraram o interior catarinense, vindos principalmente da Capitania de São Vicente.

Na primeira metade do século 17, a ilha de Santa Catarina já abrigava uma missão jesuíta. Quando foram expulsos do Brasil, em 1759, a missão já contava com um colégio.

O povoamento efetivo do litoral catarinense começou em meados do século 17, época em que foi fundado o povoado de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, atual São Francisco do Sul. Em 1672, Francisco Dias Velho fundou a povoação de Nossa Senhora do Desterro, a futura Florianópolis.

Em 1676, o vicentista Domingos de Brito Peixoto fundou o povoado de Santo Antônio dos Anjos de Laguna. Com a fundação da Colônia do Sacramento, em 1680, Laguna tornou-se um importante entreposto comercial para as embarcações portuguesas que iam ao Rio da Prata. Os conflitos naquela área, com os espanhóis, forçaram os brasileiros a abrir caminhos por terra, no início do século 18, desde Sacramento até Laguna, onde embarcavam suas mercadorias para outros lugares do Brasil.

Em 1726, desmembrava-se de Laguna o município de Nossa Senhora do Desterro. A Capitania de Santa Catarina foi criada em 1738. Existiam basicamente três povoações ao longo do litoral catarinense, nessa época: São Francisco, Desterro e Laguna.

A partir de 1737, os tropeiros também passaram a transportar suas mercadorias desde os Campos de Viamão, no atual Rio Grande do Sul, até São Paulo, passando pelo interior de Santa Catarina. As rotas de tropeiros, ligando o Sudeste ao Rio Grande do Sul exerceram forte influência no desenvolvimento do interior da Capitania de Santa Catarina. A pecuária também passou a ser uma importante atividade econômica na região. Índios e escravos africanos foram os primeiros vaqueiros.

Em meados do século 18, muitos portugueses das Ilhas de Açores mudam-se para a capitania de Santa Catarina, após abalos sísmicos nas ilhas. Vieram com eles vários escravos africanos. Em 1797, outros colonos açorianos vieram da Ilha da Trindade.

Em 1763, os espanhóis invadiram o Sul do Brasil. Tomaram a Colônia do Sacramento, dominaram a maior parte do atual Rio Grande do Sul (Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul) e invadiram a Ilha de Santa Catarina. Foram expulsos do Rio Grande do Sul pelos portugueses, em 1776. A Ilha foi devolvida a Portugal com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777.

Mais: Brasil no século 16

 

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Fragmento do mapa de João Teixeira, de 1640, com a indicação da Ilha de Santa Catarina e outros acidentes geográficos (clique na imagem para ampliar).

 

 

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O navegador francês Binot Paulmier de Gonneville, desembarcou possivelmente no litoral de Santa Catarina em 1504.

 

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